É inegável que uma sombra ronda o governo do Rio Grande do Sul. As acusações envolvendo a governadora Yeda Crusius por suposta utilização de dinheiro de campanha para adquirir uma casa no valor de 750 mil reais ganharam força nos últimos dias, motivando a realização de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito, para investigar a veracidade das acusações. Enquanto os parlamentares buscam as assinaturas necessárias para a instalação da Comissão, os veículos da imprensa especulam.
No domingo, dia 31 de maio, Zero Hora publica em sua página 10, espaço assinado pela jornalista Rosane de Oliveira, uma pesquisa avaliando a percepção dos gaúchos em relação à situação do governo, bem como dos possíveis responsáveis. Conforme publicado, “A percepção da maioria dos eleitores gaúchos em relação à crise política que atinge o Rio Grande do Sul é de que a principal responsável é a governadora Yeda Crusius e que a solução depende, em muito, de instituições como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário”.
Segundo o sociólogo francês Dominique Wolton, “As pesquisas de opinião são um instrumento complementar de percepção da realidade. Ele tornou-se onipresente, diminuindo outras possibilidades de percepção. Não se inscreve numa lógica de informação pública”. O problema em veicular esta representação particular da realidade está justamente no fato de que a mesma é apenas uma parte do processo.
Um questionamento: seria este o momento mais adequado para medir a opinião do povo em relação à crise no governo? Este comportamento ofensivo por parte da mídia explica muito o comportamento dos próprios políticos, constantemente questionados sobre soluções imediatas, desconversam, recorrendo às populares manobras retóricas. Algumas decisões precisam ser tomadas nos palácios, não no espaço público, e esta sede da imprensa, de estar sempre presente no momento das decisões, termina por influenciar profundamente nas decisões.
Zero Hora também se valeu do Twitter para propagar a manchete “Pesquisa revela como os gaúchos avaliam a crise política instalada no RS”. Considerando que a pesquisa é uma fotografia do momento, não seria mais honesto com o leitor que o jornal esclarecesse a volatilidade destas informações? Enquanto isso aguardamos a decisão de instalação ou não da CPI, mesmo não sabendo quais seus verdadeiros motivos.
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